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Aprendizes sentados em círculo conversam sobre a atividade com a instrutora
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06/01/2017

Empresas abrem portas para o futuro de jovens aprendizes

Empresas abrem portas para o futuro de jovens aprendizes
Projetos com profissionais novatos ajudam companhias de médio e grande porte a seguirem a lei e a formarem mão de obra qualificada para o mercado


Rio de Janeiro - Formar o profissional dentro da filosofia da empresa. Para muitas companhias, os programas de aprendizes podem ir além de cumprir meramente a lei. Afinal, o jovem que entra cedo no ambiente corporativo pode significar economia de tempo e investimento em captação.

"O aprendiz se intera sobre as funções e a forma de se conduzir na organização. Caso venha a ser efetivado, ele já passou por todo processo de aprendizado. Ganha-se tempo e facilita a adaptação, pois o jovem já está inserido em todo o contexto da empresa", defende a diretora de Gestão de Recursos Humanos da Tim Brasil, Régia Barbosa.

A empresa de telefonia é integrante do projeto Aprendiz Legal, parceria do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) com a Fundação Roberto Marinho. O programa tem ações em 25 estados e prevê a atuação dos aprendizes durante dois anos nas empresas. Os jovens podem trabalhar em 11 áreas, desde administração, comércio e varejo, até auxiliar industrial, turismo e hospitalidade.

"Para as empresas, é a oportunidade de formar novos quadros com jovens que têm a educação básica e formação profissional na sua área de atuação, permitindo, inclusive, o diálogo com a instituição formadora", diz o coordenador institucional do Aprendiz Legal, Marcelo Bentes.

Aumento

Apesar da recessão, que exterminou 2,3 milhões de postos de trabalho em todo o país no ano passado, o número de aprendizes legais ativos dentro do projeto foi na contramão da crise. Cresceu de 90.091, em setembro de 2015, para 92.900 no mesmo mês de 2016 - aumento de 3,1%. No Rio, o Aprendiz Legal saltou de 8.500 para 8.750 no período (+2,9%).

O número de aprendizes no Rio de Janeiro ainda tem potencial. Mesmo com 12 mil jovens de vários projetos inseridos no ano passado, o estado fechou 2016 com 34.080 aprendizes ativos. Segundo dados do Ministério do Trabalho, hoje a cota no Rio seria para 85.619 aprendizes. Ou seja, menos de 40% do potencial de mão de obra está contratado. "Este não é um quadro regional, mas uma realidade que se repete em todo o país", admite o coordenador do Aprendiz Legal.

Legislação

A cota de aprendizes é estipulada de acordo com o porte da empresa pela Lei da Aprendizagem (10.097/2000). De acordo com a legislação, empresas de médio e grande porte são obrigadas a contratar jovens entre 14 e 24 anos para capacitação profissional, em cotas que variam de 5% a 15% sobre o número total de funcionários da companhia.

A seleção dos aprendizes pelas empresas é feita, geralmente, em conjunto com o CIEE. O candidato, então, passa por dinâmicas e entrevistas, em um processo de admissão normal como para qualquer outro profissional. "Com exceção da jornada de trabalho e de que não pode atuar em áreas de risco, o aprendiz é tratado como um colaborador normal", explica Régia, da Tim Brasil.

Muitos aprendizes que se qualificam, inclusive, podem ser efetivados nas empresas em que atuam. São frequentes os casos de jovens profissionais que se destacaram em suas atividades e foram contratados em definitivo depois de passarem pelo programa.

"Queremos jovens com senso de responsabilidade, que se comprometam, que aproveitem o aprendizado e que tenham iniciativa. A lei estipula que o aprendiz pode ficar até dois anos. Mas tem gente que faz um trabalho sensacional, que acaba efetivado ou que vai para o mercado de trabalho muito melhor. Quando o jovem está inserido no contexto do mercado, se torna um melhor profissional com um trabalho qualificado", avisa a executiva de RH.

Responsabilidade social

Além disso, a aprendizagem é vista como uma ação de responsabilidade social e de política pública para a juventude.

"A partir do momento em que exige que o aprendiz esteja na escola, ou tenha concluído a educação básica, a aprendizagem profissional é um fator de estímulo à permanência e inclusão desta parcela da população na escola. É também uma política que fortalece o enfrentamento ao trabalho infantil, pois permite ao jovem entrar no mundo do trabalho amparado pela rede de proteção do estado, que lhe garante todos os direitos trabalhistas", destaca Marcelo Bentes.

Fernando Miragaya

Fonte: Site DCI-RJ

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